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quarta-feira, 20 de julho de 2011

Cinza e chuvoso.


Não é a melhor coisa do mundo se sentir desamparado, precisando de afagos intermináveis, alguém ou algo pra se apoiar. Não é questão de parasitar e sim de abafar um pouco essa insegurança que deitou sobre mim. A fragilidade entrelaçou suas mãos com a minha essência, e faz dela mais sensível do que já é por natureza. Às vezes o medo é tanto que chego a ficar tonta. Dói o corpo, dói o peito, doem os pulsos, dói à alma. E olha que eu tento fingir até pra mim que está tudo bem. Sei que é mais uma daquelas fases de alto-encontro, de pesar o que deve continuar sendo carregado dentro desse peito que fadiga e o que deve ser jogado fora no primeiro bueiro em que eu passar, mas a falta de sabor na ponta da língua, o tempero dos dias, se dissipa em minhas mãos e a indiferença toma o seu lugar. Eu sei, vai passar, mas enquanto estiver cinza e chovendo aqui dentro, eu vou chorar, vou aflorar minha dor, esperando o dia em que tudo voltará a ser azul e limpo, com algumas nuvens, eu sei, mas bem menos carregadas de dor.



Franciélle Bitencourt.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Nada pior.


Nada pior do que fingir que está tudo bem. Nada pior do que meias verdades, meias mentiras. Nada pior do que um sorriso amarelo. Nada pior do que a falsa certeza. Nada pior do que o cansaço. Nada pior do que a falta do velho bem querer.


Franciélle Bitencourt.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Expor-se


Exponho para tentar apagar amores que abalaram uma vida,
Por mais que tenham sido passageiros.

Exponho para aliviar o coração,

que já se entregou a quem não merecia um sorriso se quer.


E continuo expondo para aliviar dores ocasionadas por momentos imprevisíveis,

E faço isso para amenizar o pesar de palavras ríspidas

Ditas, mediante uma súplica escondida, por um gesto de amor.


E abro o emocional abatido,

Exponho o sentir-se só, apesar de tudo levar o contrário.


Mostro a geografia do corpo pulsante que exige vida,

Mesmo sem nem ao mesmo ter sido despido.

Exponho memórias cravadas em cada curva do corpo,

Em cada cicatriz que a vida ocasionou.


Amenizo os pesares com a esperança de dias melhores,

Com o olhar de quem ainda acredita na vida,
Porque a tristeza é preocupante quando algo vivo

Não se vê como tal.



Franciélle Bitencourt.