
Não é a melhor coisa do mundo se sentir desamparado, precisando de afagos intermináveis, alguém ou algo pra se apoiar. Não é questão de parasitar e sim de abafar um pouco essa insegurança que deitou sobre mim. A fragilidade entrelaçou suas mãos com a minha essência, e faz dela mais sensível do que já é por natureza. Às vezes o medo é tanto que chego a ficar tonta. Dói o corpo, dói o peito, doem os pulsos, dói à alma. E olha que eu tento fingir até pra mim que está tudo bem. Sei que é mais uma daquelas fases de alto-encontro, de pesar o que deve continuar sendo carregado dentro desse peito que fadiga e o que deve ser jogado fora no primeiro bueiro em que eu passar, mas a falta de sabor na ponta da língua, o tempero dos dias, se dissipa em minhas mãos e a indiferença toma o seu lugar. Eu sei, vai passar, mas enquanto estiver cinza e chovendo aqui dentro, eu vou chorar, vou aflorar minha dor, esperando o dia em que tudo voltará a ser azul e limpo, com algumas nuvens, eu sei, mas bem menos carregadas de dor.
Franciélle Bitencourt.

