Mostrando postagens com marcador desejo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador desejo. Mostrar todas as postagens

domingo, 13 de novembro de 2011

Sem saber...


Eu sou tanto, sou tantas, sinto tanto, transbordo tanto. E como posso querer que me entendam se eu mesma me perco em minha loucuras e estranhezas? Já não sei mais controlar tudo o que sinto e até mesmo o que deixei de sentir. Entrego-me as minhas angustias e fraquezas. Permito-me sentir mais do que o meu peito suporta. Deixo-me derramar em lágrimas. Desfiguro-me em lamúrias.

Meu coração já não reconhece suas batidas, se entristece com o que vê, se lamenta pelo que não alcança mais.

A vida dança ao som de Le Moulin, e aquele sentimento arrancado do meu coração se transforma em batidas perturbadoramente calmas e descompassadas, fora de mim. Sensações descobertas ao acaso, excitações impertinentes e imprudentes. Culpas inexistentes que gritam no meu âmago. Sensibilidade que entorpece e enlouquece. Melancolia inexplicável e persistente. Vontade exorbitante de abafar essa dor que dói no peito. Ambição tremenda de fugir mim.



Franciélle Bitencourt.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Seja forte, menina!





Viu, menina? Eu lhe disse para não dar ouvidos pra ela. Eu sei que ela é envolvente, chega sorrateiramente, fica murmurando no seu ouvido como quem não quer nada – ou quase nada.

Eu sei que eu aparento sumir às vezes, mas faço isso pra ver até a onde a fé em você mesma é capaz de ti levar. Tem momentos em que eu ti vejo tão fraca, menininha, rendendo-se a todas as dores, pedras e sacrifícios que aparecem no meio do seu caminho. Se eu testo você é porque sei que és capaz. Não duvide disso, não dê ouvidos pra outra que não quer tanto assim o teu bem, minha doce menininha.

Vá! Usa essas asas que você mesma lhe deu e voe pra longe, bem alto e não tenha medo de cair! Caso isso aconteça, levante, sacuda a poeira das mãos, limpe os joelhos, erga-se novamente e se impulsione a voar de novo, quantas vezes for preciso! Mas pra cima, menina. Jamais se jogue pra baixo porque a outra falou, querendo dizer que no fundo é você que quer isso. Não a escute! Ela não é tão boa assim quanto parece ser. Eu sei que às vezes ela lhe pega pelas mãos, te leva pra um lugar bem alto, soltando papinho, passando por caminhos tentadores, agindo gentilmente e prometendo infinitas coisas, mas ela só quer te empurrar lá de cima e pra isso te coloca cara-a-cara com a outra face dela, lá em cima daquele abismo. E diz pra você pular, e diz pra você não ter medo, e fala pra você agir, te chama de covarde, te incentiva a cortar o ar sul e verticalmente.

Tira ela de perto de você, menina. Eu sei que a melancolia e o frio são atrativos pra você, mas olhe pra mim. Olhe pra você. Eu sou bem mais bela do que você imagina, do que você vê. Faço-lhe passar por situações únicas, nem sempre tão bonitas, mas que sempre te ensinaram a crescer, a ser e a moldar você. Abre um sorriso bonito, menina, e veja que a felicidade está a um palmo de você. Jogue-se com tudo pra cima de mim, minha menina, que apenas eu, vulgo Vida, posso mostrar o caminho de tudo que tanto anseias. Solta a mão da Morte, minha menina, e segure a minha, mas bem forte, que ainda tenho o mundo todo pra lhe oferecer.


Franciélle P. de Bitencourt.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Desejo sem pudor.


Vem pra cá, me pega. Ocupa esse espaço vazio, entre você e a minha cama que te chama, com esse calor que transpira do teu corpo vil.

Vem, não se intimide. Minha pele te deseja, meus olhos te perseguem, minha boca quer escorregar pelo teu corpo nu.

Chega mais, me arranque delírios. Sinta meu suspiro no teu dorso, beija minha nuca, siga com esses beijos o caminho que o meu queixo aponta até os meus pés, sem esquecer um canto se quer.

Seja meu, por inteiro. Entregue-se a essa delícia que é o desejo sem pudor, apenas coberto pelo nosso imenso amor.



Franciélle Bitencourt.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Amar é para os fortes.



Sempre tem alguém que vem com aquele papinho de “amor é para os fracos, os fortes não se apaixonam”, ou “pego mais não me apego”, ou também “amar é coisa de babaca que gosta de sofrer”, além de outras infinitas definições mesquinhas sobre o melhor sentimento já habitado no ser humano.

Acredito que a maiorias dessas pessoas que se intitulam fortes e boas de mais para o amor, já tenham sofrido muito nessa vida por ele e, por fim, se tornaram fracos. Porque não amar é para os fracos. Quem ama é forte, porque só os fortes sabem conciliar trabalho/rotina e relacionamento, só os fortes conseguem discutir com a pessoa que dividem a mesma cama e logo depois se arrepender e se reconciliar onde a intimidade começa. Só os fortes trocam festas, bebedeiras quase que diárias, noitadas, várias mulheres, vários homens, descompromissos e falta de dar satisfação por contas, rotina familiar, fidelidade, sinceridade, compromisso, olho-no-olho, hora marcada e coração e ainda assim não se arrependem de terem deixado a superficialidade de lado para viver e ter em quem pensar/dividir/somar/apoiar/contar/amar no final de um dia qualquer.

Só os fortes se permitem abrir para o tão temido sentimento chamado amor. Só os fortes se entregam, sem medo, sem preconceito, sem receios e sem limitações. Só os fortes não se importam com a grandeza daqueles que se dizem inteligentes de mais para o amor. Só os fortes trocam o vazio pelo cheio, por aquele que preenche o coração, o corpo, a alma por completo e que de tanto ocupar espaço, transborda por meio de palavras, atos, olhares, sorrisos, lágrimas, saudades e bem querer. Só os fortes sabem o valor de uma flor dada ao acaso, de uma mensagem de carinho no celular, de uma ligação no meio do trabalho dizendo “eu te amo, pra sempre”. Só os fortes sabem como é difícil lidar com as diferenças, com o mau humor, com a tpm mensal, com a cara amassada/bafo/cabelo despenteado de todas as manhãs. Só os fortes aprendem a gostar do que o outro gosta, não por compromisso, mas por interesse em entender cada vez melhor quem divide o mesmo ar que o seu. Só os fortes sabem dizer que amar é necessário, mas que para isso o amor-próprio precisa existir. Só os fortes não cobram, não intimidam, não mentem, não escondem não desejam viver sem ter quem dividir o chão, o teto.

Quem é fraco se esconde, repele, vomita o amor.

Quem ama entende e sabe que faz parte do grupo de pessoas mais forte do mundo. Do grupo dos adeptos do amor.

Quem ama é valente, destemido, corajoso, sonhador, feliz, justo, simples. Quem é forte entende o que eu falo. Quem é fraco entorta o nariz.


Franciélle Bitencourt.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Ela. Ele. V


Ela se deita na cama e em poucos minutos fica naquele impasse de "meio-acordada, meio-dormindo". Ele se aproxima sorrateiramente, a abraça por trás. Ela suspira aliviada e, nesse ato, já perdi metade da tensão que carregou nos ombros o dia inteiro. Ele começa a acariciar, com as pontas dos dedos, as costas dela. Aquele arrepio instantâneo a percorre o corpo, das vértebras cervicais até a falange distal. Ela suspira fundo, longo. Logo aquele cansaço começa a dar lugar ao desejo. Instintivamente.
Numa velocidade e agilidade de quem faz isso a um bom tempo, ele tira a camiseta de ambos, a beija na nuca e tira com as palmas de sua mão, toda a dor e fragilidade encravada no corpo dela, pelos dias rotineiros de exaustão. Como num passe de mágica, surge vigor da onde se pensava não existir mais nem força para manter os olhos abertos. Ele a vira de face para ele, tira a franja caída nos olhos dela e sussurra: "Ao invés de fazer carinho com amor, por que não fazemos amor com carinho?" e a beija, esperando a resposta vir do aumento do fluxo da saliva dela, e não das palavras. E aquele amor de sempre - mas sem aquele itinerário habitual, acontece, reacontece, se reinventa, se transforma, se espalha, se revigora, alimentando e saciando, mesmo que brevemente, a fome daqueles que se confessam escravos do amor.


Franciélle Bitencourt.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Ausência; Presença.


A sensação da falta, da abstinência, da ausência, correi por dentro, dilacera, faz faltar o ar.
O tempo corre e não pergunta se queremos ir junto, ele só nos carrega, nos empurra, não dando a alternativa de decidirmos ficar eternizados em um momento ou se esperamos ele - o tempo - passar.
As horas passam, os abraços se perdem, o cheiro se dissipa, o gosto na boca é engolido e só permanece a falta do bem-querer, que tanto faz bem.
O coração não perde a palpitação, a ocupação do amor e a certeza - que amenizam a dor - mas por mais que se saiba que o melhor sentimento do mundo se concentra metade no peito e metade no estômago - junto com as borboletas - a necessidade da presença é inevitável, e o desejo pelo corpo irremediável.
Nada substitui o beijo no pescoço, a mão no corpo, a língua na boca, o cheiro entranhando na alma, o "eu te amo" ao pé do ouvido.


Franciélle Bitencourt.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Além do que se vê


E aquela sensação de liberdade que começa a percorrer as minhas veias, a falta de fôlego, a excitação no ar.

Nada melhor do que descobrir que a vida é muito mais do que lhe é oferecido e que a chave de tudo é não ter medo de arriscar. Quero ir longe, bem mais do que me permitem, e a possibilidade que se apresenta, estampada, na minha frente, me faz ainda mais querer tentar!

Sei que certos sacrifícios serão executados em virtude do que mais almejo, mas a sensação de levitar é muito mais estimulante do que a certeza do presente.


Franciélle Bitencourt.




Sei que andei meio sumidinha daqui, espero que não tenham me esquecido ainda.


Mais do que nunca, preciso de vocês aqui, comigo.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Ela. Ele. IV


Ele desliga a televisão, apaga as luzes e abre a porta da sacada. A lua cheia, o céu pintado de nuvens e estrelas, se apresentam emoldurados pelo marco da porta, como se tivessem sido pintados com o mais intenso dos sentimentos para ser dado de presente à ela, naquela momento. Ela se surpreende, sorri. Os olhos emanam uma brilho diferente, de desejo e encantamento. Ele sorri suave, deita-a na cama, cobre-a de nudez, venda-lhe os olhos. Ela nada fala, tudo consente, sabia que não havia motivos para temer. "Mais uma noite que você vai ser minha. Não se mecha, não me toque, apenas apure seus outros sentidos e sinta.", diz ele ao pé do ouvido.
Como uma máquina fotográfica, ele salva na memória cada canto daquele corpo nu, que só se mexia com a respiração ofegante que não permitia o contrário. "Você fica tão linda coberta da lua!" - diz ele enquanto a sua respiração acelera instintivamente junto a dela. Ela sorri, enfeitiçada por aquele momento nunca vivido pelos dois. Ele começa a beijá-la, dos pés até a nuca. Cada beijo lhe transmite uma reação, um arrepio, fazendo-a se contorcer. Ora geme, ora se perde. Ele a abraça forte e a ama, como todas as vezes que o momento lhes permitia. Era intenso, era avesso. A química, o corpo, a pela, o tesão, o desejo. Ele soltava sussurros sinceros, nem sempre de doçura, mas impulsionados pelo querer. Rendeu-se ao mel do corpo dela. Ela faz o que lhe foi pedido, se entregando sem nada ver mas tudo sentir. Românticos hostis. Desesperados por amor. Banhados da luz da noite.
Ele tira a venda dos olhos dela, que extasiada vê a sua frente a imagem mais deslumbrante da sua vida: o amor envolto de sorrisos, estrelas e bem-querer.
Ele se deita sobre o peito dela e adormece, como um anjo, que veio para lhe guardar. Ela olha para aquele mesmo céu que consagrou aquela noite e agradece.
A vida mais uma vez lhe provara que tudo valia a pena, se fosse embalada pelo verdadeiro amor.


Franciélle Bitencourt.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Desejo.


Tenho desejo desse amor ardente,
Que sinto no seu olhar flamejante,

Que repulsa do seu corpo vil.


Tenho sede do seu corpo indesvendável,
Da sua mão nas minhas pernas,
Do seu suor junto ao meu.

Quando eu falo que te quero, é porque te amo

Amo-te de qualquer jeito

Com doçura, com euforia, com pecado, com inocência.


Quanto mais te tenho, mais te quero

E quanto mais te quero, mais meu corpo implora pelo seu, aqui, colado.

Gosto desse amor sem medidas, desse amor sem repulsas

Desse amor que tudo sabe, que tudo sente.


A gente se entende, em meio aos nossos abraços

Dentro de quatro paredes,
No íntimo de nosso âmago.

Vem. Cola. Gruda. Prende. Segura. Deseja. Ama. Castiga.
Faz-me cada vez mais querer-te amar e amar.




14/06/10
02:14 a.m.

Franciélle Bitencourt.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Ela. Ele. III


Ele chega repentinamente, cabelos molhados do banho tomado a menos de 3 minutos. Ainda se vê - e se sente - as gotículas de água perfumadas escorrendo pela sua vértebra esguia.
Ela meio-sono, se vira tentando decifrar se está acordada ou sonhando com aquele corpo se colocando sobre o seu. Ele fala: "Eu quero as luzes acesas, eu quero mirar cada canto desse corpo que me será entregue agora". Ali ela percebe que está sonhando sim, mas de olhos abertos. Ele fixa seus olhos nos dela, em questão de segundos deixa ela completamente nua, mostrando tamanha habilidade e intimidade com aquele corpo que se arrepiava mediante o cheiro de querer que emanava do seu corpo. Ela estremecia sempre, com aquela mão colocada entre suas pernas, aquele corpo que insistia em se fundir ao seu. E ele continuava a olhá-la fixamente, mas agora não somente para aqueles olhos amendoados e doces que ele tanto insistia em se perder, ele olhava também, milimetricamente, para todas aquelas curvas expostas a ele ali, sem medo algum. Ele sentia um fogo ardente, desejando incontrolavelmente aquilo que estava posto ao seu deleite.
Era pele. Era química. Era desejo. Era amor. Era bem-querer. Era vida.
Aquela luz acesa não fazia com que ela sentisse vergonha dos defeitos que a mesma insistia em dizer que tinha. Na verdade, ela se achava a mulher mais linda e desejada de todos os mundos parelelos que pudessem existir, tudo isso pelo fato de ele lhe cobrir de palavras de amor, tanto quanto a desejava em meio aqueles abraços e murmúrios.
Ele a amava tanto, sem malícia, sem pecado, sem pudor, sem medo.
Ela sabia que não havia lugar algum, mais seguro que aquela fortaleza de ossos, carne e pele que lhe cobriam naquele momento, de carícias e sentimentos.


Franciélle Bitencourt.






"Ele" e "Ela" já fazem parte de mim.
Desculpem-me em insistir "Neles", mas é que esse delírio todo é tão estimulante.
Pelo menos para mim.




(Alguém já cansou "Deles"?)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Fazer amor.


Deitados em sua cama forrada por lençóis azul-turquesa, ele a fitou com ternura, acariciou o rosto dela com a parte externa da mão direita. Com a mão esquerda, por baixo da blusa que a cobria - um tanto que transparente e convidativa -, escorregou a mão sobre o tronco superior dela, do pescoço, passando por entre os seios até o umbigo. Olhou-a de novo com um misto de intimação e afeição e lhe disse: "Faz amor comigo, agora?". Ela se assustou. Olhou-o com ar de querer misturado com medo e lhe respondeu: "Mas, não estamos sozinhos em casa! A qualquer momento alguém pode abrir a porta!". O mesmo a encarou com um sorriso manso no rosto. Pegou em sua mão, beijo-a. Passou o seu dedo indicador da testa ao queixo dela. Pousou um beijo cheio de amor nos seus lábios. Pregou os seus olhos amendoados nos olhos que pertenciam a ele e lhe retrucou com perspicácia: "Viu? Acabamos, mais uma vez, de fazer amor, sem nem se quer nos tocar por inteiro." Puxou-a para perto do seu peito, afogou-a em seus braços. Ela sorriu, lisonjeada por ter conhecido ele, a quem tanto lhe ensinava sobre a divindade de viver e fazer o amor.


Franciélle Bitencourt.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Meu eu, seu. Seu eu, meu.


Já não sei mais separar o meu eu do seu eu.
Você veio eufórico, direto, quente, se infiltrou
.
Fez da minha carne, seu alimento,

Do meu corpo, seu mapa-guia,

Fez da minha saliva o líquido que sacia sua cede.

Não sei mais onde eu começo e onde você termina.
Fusão deliciosa de nossos corpos habitados por uma só alma.




Franciélle Bitencourt.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Ironia.


A idéia de que todas as vontades, supostamente verdadeiras, eram intactas, dúcteis e imutáveis permanecia na minha existência e era algo certo, irrevogável. Pensava poder analisar os fatos com alguma sabedoria, que já havia sentido tudo (ou quase) relacionado a sentimentos na minha vida e que as minhas escolhas, bem pensadas, eram certas, retilíneas. O cristal se quebra, a decepção com o meu eu vêm à tona. A dor maior é ver a verdade, a minha verdade, escorrendo por entre os dedos, e por mais que eu tente segurar, o esforço será em vão. Aqueles sentimentos de exatidão, de ser completo, de felicidade certa, se esvaem, saem pelos meus poros. Ouço os ruídos da dúvida, mas tento fingir que nada existe ali, que o controle está em minhas mãos e que o caminho percorrido é o certo. Ironia do destino. Tento me convencer de que esses medos, anseios e desejos se dissiparão; que a rotina me trará o chão de volta e que a minha vida nunca escorreu sobre meus pés.





Por: Franciélle Bitencourt.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Segunda primeira vez.



Faltava um pouco mais de meia hora para que seu ônibus passasse. Maria Luiza estava apreensiva, só tinha esse tempo para conhecer a família dele, era a primeira vez que ia à casa dos pais do seu namorado. Apenas dera um “oi, tudo bem? Prazer, Maria Julia” e logo em seguida todos foram se retirando de casa, por algum motivo qualquer. Primeiro saiu o pai dele, dando a desculpa de que tinha que se encontrar com alguns amigos. Logo em seguida, a mãe e a irmã também se desculparam, dizendo que já haviam marcado de irem ao shopping mais cedo. Em questão de dez minutos, só estavam ela e o cara que acreditava ser o homem da sua vida, ali, sozinhos.

Maria Luiza tinha 14 anos, era uma garota diferente. Desde cedo já se percebia que ela não poderia ser comparada as garotas da sua idade. Tinha pele clara, os cabelos escuros, as expressões do seu rosto eram delicadas. Não se podia dizer que ela era uma garota linda, de acordo com os padrões convencionais, mas tinha uma beleza diferente, não era feia. Peculiar e exótica eram as palavras certas. Por onde passava arrancava olhares, mas não podia ser comparada. Tinha um ar de doçura, mistério e inocência que emanavam do seu semblante. Apesar de todas as dificuldades que enfrentara até ali com a separação dos pais, morte da avó que tanto amava, falta de dinheiro, perdera também sua melhor amiga em um acidente de moto e cuidava da casa e da irmã mais nova, enquanto sua mãe trabalhava das oito horas da manhã até as oito da noite, como funcionária de uma repartição pública na cidade; gostava de como era e da vida que levava. Desde cedo começou a se cuidar sozinha, deve ter sido isso que a obrigou a amadurecer precocemente. Como conseqüência, aos 14 anos já se achava madura o suficiente para ter um relacionamento mais sério. Não que já tivesse tido algum tipo de relacionamento, mas pensava assim.

A "garota das expressões delicadas" conheceu Otávio em um dos shows de rock que aconteciam pela cidade. Ele foi apresentado para ela, por uma amiga que os dois tinham em comum. Otávio mais velho, com 18 anos, tinha algo que deixara Malu - apelido dado por sua mãe quando era pequena – impressionada. Até hoje ela não sabe explicar o que era, mas sabia que havia se sentido atraída por aquele rapaz.

Conversaram por algumas horas. O assunto principal da noite foi música. Eles perceberam que tinham um gosto muito parecido relacionado a isso. Otávio gostava desde MPB até músicas mais pesadas como algumas bandas de Death/Black Metal. Maria Luiza não fugia muito disso, apenas trocava o Death Metal por Pós Punk anos 80. O clima, a vodka, as latas de cerveja, a música “I wanna be sedated” dos Ramones tocando de fundo, embalaram o primeiro beijo dos dois. A noite que passou em questão de minutos chegava ao fim. Antes de se despedirem, trocaram números de telefone. Aquela noite seria o começo de tudo, ou o fim.

Passaram a se encontrar com freqüência: cinema, praça, festas na casa de amigos. Mas o lugar preferido dos dois eram os shows de rock que aconteciam em casas noturnas, de quinta–feira a domingo, pela região. Logo perceberam que o envolvimento estava cada vez maior. Otávio viu que ali não tinha apenas uma garota de 14 anos sem conteúdo e fútil, mas sabia que no quesito relacionamento, Malu era mais inocente do que imaginava.

Toda vez que se encontrava com o "cara dos seus sonhos", Malu voltava eufórica pra casa, pensando em mil maneiras de mostrar para ele - sem parecer atirada e apaixonada ao extremo como qualquer garota faria, que aquela menina moça seria a melhor pessoa que ele poderia querer ao seu lado. O primeiro beijo, ah o primeiro beijo! Ela nunca havia ficado com um cara quatro anos mais velho que ela, na verdade, ela nunca havia beijado ninguém! Sempre achava que os caras da sua idade não tinham nada na cabeça e que não mereciam o seu interesse. Malu preferiu esperar alguém que realmente mexesse com ela e dessa vez ela havia encontrado.

Otávio por ser mais velho, já era mais vivido. Não pelo simples fato de ter quatro anos a mais que Maria Luiza, mas por ser um rapaz como qualquer outro, com alguns defeitos mais aguçados, outros menos, algumas qualidades relevantes, mas era um rapaz, tinha suas malícias. No passado Otávio havia se apaixonado por uma garota que se chamava Monica, e tinha certeza de que ela era a mulher da sua vida. Namoraram, viveu uma paixão intensa, mas a garota, sem explicação nenhuma aparente, o deixou, dizendo que eles não podiam dar certo e sem mais explicações, terminou o namoro e se mudou com os pais para outro país. Otávio se tornou um cara cheio de amarguras e ressentimentos, não conseguia acreditar que tudo aquilo que ele vivera não havia sido vivido por Mônica com a mesma intensidade. Colocou em sua cabeça que nunca mais se entregaria para nenhuma garota e que faria sofrer, quem fosse que se apaixonasse por ele.

Continua...





Pessoal, esse é a parte I do primeiro conto que eu posto aqui. Gostaria muito de saber a opinião de vocês, se estou indo pelo caminho certo ou não, se vocês estão achando interessante, se sentem vontade de ler o restante do conto, essas coisas. Críticas construtivas são sempre bem-vindas.

Espero que alguém esteja gostando e curioso para saber o desenrolar da história!

Um beijo na alma.