domingo, 13 de novembro de 2011

Sem saber...


Eu sou tanto, sou tantas, sinto tanto, transbordo tanto. E como posso querer que me entendam se eu mesma me perco em minha loucuras e estranhezas? Já não sei mais controlar tudo o que sinto e até mesmo o que deixei de sentir. Entrego-me as minhas angustias e fraquezas. Permito-me sentir mais do que o meu peito suporta. Deixo-me derramar em lágrimas. Desfiguro-me em lamúrias.

Meu coração já não reconhece suas batidas, se entristece com o que vê, se lamenta pelo que não alcança mais.

A vida dança ao som de Le Moulin, e aquele sentimento arrancado do meu coração se transforma em batidas perturbadoramente calmas e descompassadas, fora de mim. Sensações descobertas ao acaso, excitações impertinentes e imprudentes. Culpas inexistentes que gritam no meu âmago. Sensibilidade que entorpece e enlouquece. Melancolia inexplicável e persistente. Vontade exorbitante de abafar essa dor que dói no peito. Ambição tremenda de fugir mim.



Franciélle Bitencourt.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Sem armadura. Sem medo.



(Aqui está uma parte da conversa sincera que eu tive com a minha pessoa esses tempos. Uma daquelas conversas que eu deveria ter todos os dias da minha vida...)



É duro ficar por dias, meses, quiçá anos, montando a sua armadura contra o amor e tudo que vem junto com ele. Você, menina, sabe que existem coisas boas no amor como a vida a dois, o apego, o sentimento aflorado, os sonhos sonhados acordada, a saudade que dá aquela dorzinha no peito. Mas o problema é quando também vem o ciúme exagerado, a insegurança, a falta de controle – e auto-controle, o medo, a incerteza, a submissão, a rotina gritante, a dependência, a falta exagerada do ar. Você decide compor esse tal casco, quando as coisas boas pesam menos que as ruins, surgindo à necessidade de não querer mais sofrer por nada e por coisas que no fim, só te mostraram que existem para te machucar e te fazer perder o rumo do que é ser você de verdade. E você constrói essa armadura com todo o sofrimento aglomerado pelos tempos de incertezas, pelas noites mal dormidas, pela falta que te faz ter os pés no chão seguro da rotina. E no fim consegue - apesar de toda a dureza e dificuldade - escolher se fechar para o amor, tendo isso como melhor solução a ser seguida. Coloca uma máscara que tenta dizer para os outros sou-mais-feliz-e-segura-sozinha-obrigada e começa a levar os dias, vestida integralmente, com todas essas parafernálias de proteção sentimental e vê, que lentamente, consegue dar conta disso. E realmente se sente mais firme, mais racional, mais forte, mais real. Mas, inevitavelmente depois de um tempo, se sente mais vazia. Mais morna, tépida, sem sal, sem doce. Mas segue assim mesmo, afinal, “melhor meia boca e firme do que sentir mil coisas ao mesmo tempo e não conseguir tomar as rédeas de tudo”.

E depois de um longo tempo, ciente do que você se tornou, a armadura que você montou tão arduamente mostra que fez o trabalho que foi designado a ela corretamente. Mas aquele vazio está ali, dizendo que a sua visão sobre o amor pode estar um tanto que distorcida e pede baixinho por algo que o faça ser trocado pelo cheio. Porém a armadura se mantém ereta e a vida segue por um bom tempo sem muitos deslumbramentos.

Mas você, inesperadamente, é pega por uma daquelas ironias da vida. Conhece um cara diferente de todos. Sem aquele exagerado interesse aparente, sem ser em uma daquelas cenas de filmes de amor que passam à tarde na TV. Alguém sem armadura nenhuma contra o sentimento. E a euforia - por mais que você se esquivasse dela - bate de frente com você, numa paulada só e te faz tremer, mesmo que a sua cabeça tente mandar comandos para fincar as pernas numa parede de ar, o coração não permite. Você se vê de frente com tudo aquilo que arrancou da sua vida um dia. Mas sente que há algumas coisas a mais e outras a menos. O ar se dissipa dentro de você, mas sem exagero. A disritmia toma conta do seu coração, mas não te desespera. E aquela visão distorcida sobre o amor começa a se tornar nítida e limpa ali, na sua frente. Quando você percebe a sua armadura virou pó. Sem você querer, sem você permitir, sem dar tempo para qualquer tentativa de defesa. Todas as suas feridas ficam expostas, latentes. Todas as suas imperfeições, erros, defeitos e dissabores da vida são jogados em cima desse cara sem que você possa se quer correr dali. Sem que você possa se quer sentir vergonha ou medo. E ele limpa tudo isso, te segura à mão - a alma - e sorri. Oferece-se para cuidar das tuas feridas. E com o tempo mostra-te que não há nada melhor no mundo do que amar, cuidar e respeitar de verdade. Esse alguém arruma os seus cabelos grudados no pescoço antes de dormir, te abraça forte pela cintura, te coloca do lado de dentro da calçada por ser mais seguro, te protege da chuva com o seu casaco, te beija a testa-mão-nariz e pinta os seus lábios nos teus. E te mostra que amar é permitir que você seja o que realmente é por inteira. Não te cobra o desnecessário, não te proíbe, não te intimida, não quer te ver sofrer. Esse cara te sopra nos ouvidos a beleza do que é viver. E não te promete mundos e fundos, muito menos uma história e um final de contos de fadas, mas te ensina a aprender com os erros, a ser companheira, a lidar com os momentos difíceis da vida, a viver os dias como se fossem os últimos e a se sentir feliz com a simplicidade de cada momento. Mostra-te que o amor de verdade te faz crescer, em todos os sentidos metafóricos da palavra. Faz-te dormir serena, dando-te motivos pra sonhar e, principalmente, acordar disposta a lutar pela vida. A ser pé no chão como você sempre quis, mas a nunca tirar a cabeça das nuvens. Mostra-te que o amor tranquilo te deixa livre. Esse homem tece o amor junto a você com a linha do tempo. Esse novo e talvez único verdadeiro amor te ensina a ser você. Sem máscaras, sem armaduras, sem medo de viver. Esse cara te ensina o que é amar, pra valer.









Franciélle Bitencourt.




quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Nem toda flor cheira a perfume.



E quando passamos a olhar as pessoas, fatos, situações mais de perto, a enxergá-los como realmente são, descobrimos que são raras as belezas que vêm acompanhadas de um interior mais atraente, que julgar pelo que parece ser pode acarretar no maior erro das nossas vidas e que nem toda flor cheira a perfume. Porque beleza é quase antônimo de inteligência, falta de interrogações geram percas e decepções para o resto da vida e que flores - por mais belas que pareçam ser - às vezes cheiram a defunto.


Franciélle Bitencourt.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Seja forte, menina!





Viu, menina? Eu lhe disse para não dar ouvidos pra ela. Eu sei que ela é envolvente, chega sorrateiramente, fica murmurando no seu ouvido como quem não quer nada – ou quase nada.

Eu sei que eu aparento sumir às vezes, mas faço isso pra ver até a onde a fé em você mesma é capaz de ti levar. Tem momentos em que eu ti vejo tão fraca, menininha, rendendo-se a todas as dores, pedras e sacrifícios que aparecem no meio do seu caminho. Se eu testo você é porque sei que és capaz. Não duvide disso, não dê ouvidos pra outra que não quer tanto assim o teu bem, minha doce menininha.

Vá! Usa essas asas que você mesma lhe deu e voe pra longe, bem alto e não tenha medo de cair! Caso isso aconteça, levante, sacuda a poeira das mãos, limpe os joelhos, erga-se novamente e se impulsione a voar de novo, quantas vezes for preciso! Mas pra cima, menina. Jamais se jogue pra baixo porque a outra falou, querendo dizer que no fundo é você que quer isso. Não a escute! Ela não é tão boa assim quanto parece ser. Eu sei que às vezes ela lhe pega pelas mãos, te leva pra um lugar bem alto, soltando papinho, passando por caminhos tentadores, agindo gentilmente e prometendo infinitas coisas, mas ela só quer te empurrar lá de cima e pra isso te coloca cara-a-cara com a outra face dela, lá em cima daquele abismo. E diz pra você pular, e diz pra você não ter medo, e fala pra você agir, te chama de covarde, te incentiva a cortar o ar sul e verticalmente.

Tira ela de perto de você, menina. Eu sei que a melancolia e o frio são atrativos pra você, mas olhe pra mim. Olhe pra você. Eu sou bem mais bela do que você imagina, do que você vê. Faço-lhe passar por situações únicas, nem sempre tão bonitas, mas que sempre te ensinaram a crescer, a ser e a moldar você. Abre um sorriso bonito, menina, e veja que a felicidade está a um palmo de você. Jogue-se com tudo pra cima de mim, minha menina, que apenas eu, vulgo Vida, posso mostrar o caminho de tudo que tanto anseias. Solta a mão da Morte, minha menina, e segure a minha, mas bem forte, que ainda tenho o mundo todo pra lhe oferecer.


Franciélle P. de Bitencourt.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Desejo sem pudor.


Vem pra cá, me pega. Ocupa esse espaço vazio, entre você e a minha cama que te chama, com esse calor que transpira do teu corpo vil.

Vem, não se intimide. Minha pele te deseja, meus olhos te perseguem, minha boca quer escorregar pelo teu corpo nu.

Chega mais, me arranque delírios. Sinta meu suspiro no teu dorso, beija minha nuca, siga com esses beijos o caminho que o meu queixo aponta até os meus pés, sem esquecer um canto se quer.

Seja meu, por inteiro. Entregue-se a essa delícia que é o desejo sem pudor, apenas coberto pelo nosso imenso amor.



Franciélle Bitencourt.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Renasci.


Edição: Bárbara Speck


E quando você percebe, está no fundo do poço, bebendo a água que cai da chuva, se alimentando das migalhas que te jogam. Tudo isso porque desde que passou a se entender como gente, decidiu que nada deveria ser maior que o amor pelos outros, que a sinceridade, que a própria honra do ser humano e que assim, quando alguém lhe batesse na cara, devería oferecer a outra face. Uma, duas, três, centenas de vezes. E passa a engolir um sapinho ali, uma rãzinha acolá, quando vê está engolindo cobras, crocodilos e lagartos. E até o amor próprio, por inteiro. Vai esquecendo o que é lutar, tudo porque acha que independente de qualquer coisa, o bem deve sempre prevalecer, nem que para isso tenha que passar por cima de si mesmo e pensa: “Ah! A minha consciência está limpa, a minha alma dorme em paz!”. Sim, isso é verdade, uma bela verdade. Mas também uma dolorosa e árdua verdade. São poucos os que se dedicam pelo próximo, que não deixam o poder subir a cabeça e que não pisam, cospem, estraçalham aqueles que um dia foram seus amigos de verdade. São raros os que não se deixam abraçar pela cobiça, pelo capitalismo exacerbado, pela fome do querer material e que não se esquecem do amor, da amizade, da solidariedade, da ética.

E quando você menos percebe já não se encontra mais, não se reconhece mais, não se aceita mais, no meio dessa luta incansável contra a falta de amor. E se da conta que não resta mais nada, ou quase nada, apenas a certeza de que se não fizer algo por si mesmo, ninguém vai fazer. E vai acabar continuando ali, no fundo daquele poço. Isso porque você é contra a maioria que rema sempre apenas ao seu próprio favor, se esquecendo de olhar para os lados para enxergar que a felicidade está bem além do poder e da ganância e que é mais simples e atingível do que se possa imaginar. É só arrancar o cabresto da ignorância dos olhos.

Mesmo com o mundo conspirando contra, você vai aprendendo a passar por cima da mágoa, da sujeira, do veneno, do mal. E se esforça, sai da rotina, se permiti novas possibilidades, novas descobertas. É difícil, porque o ego está machucado, ferido, dilacerado, e a rotina por mais dolorosa que seja é mais certa do que a incerteza do tentar. Mas passa a se olhar no espelho com mais amor, mais cuidado, mais atenção. E repete, repete a si mesmo que ninguém tem o direito de machucar você, ninguém tem o direito de passar por cima de você e vai à luta. De cara limpa, apenas coberta de vontades, e se permite arriscar, inovar, se amar. Mas sem nunca deixar a honra de lado, a sutileza, o olho-no-olho. Não é desculpa dizer que se tornou uma pessoa amarga porque os outros te fizeram assim. Tem-se que olhar para os lados e continuar a lutar pelos seus objetivos, mas sem passar por cima de ninguém. Principalmente de si mesmo.

Hoje, depois de muito me perder, decidi mudar. Coloquei Two Kinds Of Happiness pra tocar, bem alto. Cantei, gritei, chorei, sorri, senti o mundo todo em fração de segundos. Esvaeci. Libertei-me. Renasci. Até quando eu não sei, mas sei que essa vontade pela vida, que grita aqui dentro do meu peito, está me mostrando pelo que eu realmente devo lutar.


Franciélle Bitencourt.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Dia 25 de Julho: Dia Nacional do Escritor.


E não é fácil carregar a responsabilidade de se expor a todo o momento. Expor a alma que grita, o coração que sangra, o sorriso mergulhado em lágrimas. Tudo isso por sentir e se obrigar a tentar colocar nas palavras, aquilo que o peito não segura mais sozinho. Só quem se permite mostrar, nu e sem medo, esperando que alguém lhe enxergue com olhos de espelho, por inteiro, suspirando e sentindo, em cada entranha, o que se mostra por aquelas palavras, tão sofridas, tão felizes, o que o coração insiste em esconder.Só sente quem a alma dança perdida nos sentimentos, que toca, que fere, que grita o que todos sentem, sabendo o peso do que é registrar.
E o bem que é se sentir, por inteiro.



Franciélle Bitencourt.


Sejamos saudosos aos desbravadores da alma! Dia 25 de Julho: Dia Nacional do Escritor.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Cinza e chuvoso.


Não é a melhor coisa do mundo se sentir desamparado, precisando de afagos intermináveis, alguém ou algo pra se apoiar. Não é questão de parasitar e sim de abafar um pouco essa insegurança que deitou sobre mim. A fragilidade entrelaçou suas mãos com a minha essência, e faz dela mais sensível do que já é por natureza. Às vezes o medo é tanto que chego a ficar tonta. Dói o corpo, dói o peito, doem os pulsos, dói à alma. E olha que eu tento fingir até pra mim que está tudo bem. Sei que é mais uma daquelas fases de alto-encontro, de pesar o que deve continuar sendo carregado dentro desse peito que fadiga e o que deve ser jogado fora no primeiro bueiro em que eu passar, mas a falta de sabor na ponta da língua, o tempero dos dias, se dissipa em minhas mãos e a indiferença toma o seu lugar. Eu sei, vai passar, mas enquanto estiver cinza e chovendo aqui dentro, eu vou chorar, vou aflorar minha dor, esperando o dia em que tudo voltará a ser azul e limpo, com algumas nuvens, eu sei, mas bem menos carregadas de dor.



Franciélle Bitencourt.

sábado, 9 de julho de 2011

Instintos.


E o coração acha que pode ir e vir aqui por dentro. Uma hora bate no peito, outra hora no estômago, quando não está na boca ou na palma das mãos.
Tem vida própria, age como se não houvesse razão a ser seguida, como se o cérebro existisse apenas para controlar os movimentos e as partes do corpo.
Ora acelera no peito, mediante um delírio de amor. Outrora cai pro estômago, onde se esconde em meio a acidez do mesmo, achando que isso é melhor do que tentar superar os medos. Quando menos se percebe é arremessado para a boca, onde fica na dúvida se volta para o peito - de onde nunca deveria sair - ou se se rola para as mãos, mesmo sabendo que o cérebro - aquele que comanda apenas os movimentos e as partes do corpo - irá decidir pra onde ele deve ir: se voltará pra dentro do peito ou se será arremessado para lata de lixo, onde muitas vezes o coração quis estar.
Mas ele insiste em arriscar, sempre em nome dos seus sentimentos. Seguidor fervoroso dos seus instintos de sobrevivência.

Franciélle Bitencourt.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Amar é para os fortes.



Sempre tem alguém que vem com aquele papinho de “amor é para os fracos, os fortes não se apaixonam”, ou “pego mais não me apego”, ou também “amar é coisa de babaca que gosta de sofrer”, além de outras infinitas definições mesquinhas sobre o melhor sentimento já habitado no ser humano.

Acredito que a maiorias dessas pessoas que se intitulam fortes e boas de mais para o amor, já tenham sofrido muito nessa vida por ele e, por fim, se tornaram fracos. Porque não amar é para os fracos. Quem ama é forte, porque só os fortes sabem conciliar trabalho/rotina e relacionamento, só os fortes conseguem discutir com a pessoa que dividem a mesma cama e logo depois se arrepender e se reconciliar onde a intimidade começa. Só os fortes trocam festas, bebedeiras quase que diárias, noitadas, várias mulheres, vários homens, descompromissos e falta de dar satisfação por contas, rotina familiar, fidelidade, sinceridade, compromisso, olho-no-olho, hora marcada e coração e ainda assim não se arrependem de terem deixado a superficialidade de lado para viver e ter em quem pensar/dividir/somar/apoiar/contar/amar no final de um dia qualquer.

Só os fortes se permitem abrir para o tão temido sentimento chamado amor. Só os fortes se entregam, sem medo, sem preconceito, sem receios e sem limitações. Só os fortes não se importam com a grandeza daqueles que se dizem inteligentes de mais para o amor. Só os fortes trocam o vazio pelo cheio, por aquele que preenche o coração, o corpo, a alma por completo e que de tanto ocupar espaço, transborda por meio de palavras, atos, olhares, sorrisos, lágrimas, saudades e bem querer. Só os fortes sabem o valor de uma flor dada ao acaso, de uma mensagem de carinho no celular, de uma ligação no meio do trabalho dizendo “eu te amo, pra sempre”. Só os fortes sabem como é difícil lidar com as diferenças, com o mau humor, com a tpm mensal, com a cara amassada/bafo/cabelo despenteado de todas as manhãs. Só os fortes aprendem a gostar do que o outro gosta, não por compromisso, mas por interesse em entender cada vez melhor quem divide o mesmo ar que o seu. Só os fortes sabem dizer que amar é necessário, mas que para isso o amor-próprio precisa existir. Só os fortes não cobram, não intimidam, não mentem, não escondem não desejam viver sem ter quem dividir o chão, o teto.

Quem é fraco se esconde, repele, vomita o amor.

Quem ama entende e sabe que faz parte do grupo de pessoas mais forte do mundo. Do grupo dos adeptos do amor.

Quem ama é valente, destemido, corajoso, sonhador, feliz, justo, simples. Quem é forte entende o que eu falo. Quem é fraco entorta o nariz.


Franciélle Bitencourt.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

E no meio da conversa...


(...)
Minha cama mandou dizer que está com saudades de você aqui.
(...)


- E o meu corpo mandou dizer que está com saudades do seu, enrolado nessa cama que na verdade, tem saudades de nós - colados.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O amor.



Amor.
Alguém sabe a definição correta sobre a palavra amor? Alguém sabe a sensação certa que define quando a gente está amando de verdade? Alguém sabe me dizer o que as pessoas são capazes de fazer pelo amor? Alguém sabe afirmar se já amou verdadeiramente, com todas as suas forças e certezas, alguém na sua vida?
Não falo de amor universal, nem de amor entre pais e filhos ou entre amigos. Nada disso. Falo de amor entre um homem e uma mulher, ou uma mulher e outra mulher, ou um homem e outro homem. Falo de desejo carnal e espiritual, de vida vivida a dois - ou a dois e meio, de arrepio na espinha, de tesão, de partilha, de dividir despesas, de compartilhar pensamentos, de amor pra vida.
Eu fico pensando nas pessoas que passam por mim diretamente, aquelas de convívio diário - ou quase diário; naquelas que vez-ou-outra aparecem pra contar suas histórias, nas que cruzam por mim pelas ruas, nas que eu conheço pelo mundo virtual, e fico tentando imaginar quais delas já tiveram a honra de amar e serem amadas de verdade. Mas de verdade mesmo. Falo daquele amor que tudo supera, que ti faz faltar o ar, que servi de direcionamento pra cada ato seu, aquele amor que ti trás forças pra lutar, que joga um pote de borboletas na sua barriga, que ti respeita, que ti acha a pessoa mais linda do mundo, que é gentil, que não pensa no que os outros acham se você parece um eterno bobo apaixonado. Falo daquele amor de surpresas boas, de café na cama, de mensagem no celular de madrugada. Falo daquele amor que ti faz pensar em ter filhos, em dividir um teto, em dividir as escovas de dente, em dividir o mesmo ar. Mas também falo daquela amor que sabe superar as dificuldades, que apesar dos tropeços e erros oriundos da natureza humana, sempre prevalece e se reafirma diante de qualquer coisa do gênero. Falo daquele amor que briga mas não consegue dormir sem dizer "me desculpa? eu te amo muito e não quero ti ver sofrer". Falo daquele amor que não guarda mágoas, não se apega nos erros, e sim no que há de bom. No que há de melhor. No que provém do amor verdadeiro.
Eu falo daquele amor que a gente sente, lá no fundo da alma, que é pra vida toda. Falo do amor que tem infinitos sinônimos como superação, reafirmação, garra, respeito e coração limpo. Falo principalmente do amor que sabe perdoar o outro e a si mesmo, sem jogar nada na cara depois. Daquele que não guarda rancor.
Falo de amor que sabe recomeçar infinitas vezes, daquele que pode se passar dias, meses, anos, vidas, que ele estará ali, com algumas feridinhas mas sem mágoas, pronto à doação.
Falo daquele amor que tem medo de perder, que tem medo da rotina, que tem medo de cambalear diante da acidez da sociedade, que tem medo da mentira, que tem medo da falta de compreensão, que tem medo de morrer antes que o outro.
Não adiem a felicidade, não adiem o amor, não adiem a vida.
Por favor, não se percam no orgulho, nas feridas, nas mágoas, nos erros. Acreditem sempre. Confiem em um dos poucos e melhores conselheiros do mundo, o coração. Confiem no amor, confiem em seus propósitos de vida sempre. Não se abalem pelas provações da vida.
Caso o amor de verdade lhe machuque um dia, se ele for de verdade mesmo, não terá feito isso com essa intenção. Perdoe. Viva. Dê valor antes de perder pra sempre. Não falo de percas circunstanciais, falo de perca "definitiva", do sono eterno, falo de vida paralela. Por mais que o amor transcenda a vida terrena, o que é feito aqui, hoje, será colhido lá na frente, sendo nessa vida, sendo no mundo espiritual, sendo em outras vidas.
Não dê chance para o arrependimento surgir depois. Cada momento é único. É divino.
Não são todas as pessoas que tem a oportunidade de encontrar ou reencontrar o amor de sua vida.
Posso parecer, de forma pejorativa para muitas pessoas, sentimental de mais, dramática de mais, chorona de mais, e tudo de mais que envolva sentimentos à flor da pele. Mas eu gosto de ser assim, agradeço a Deus por ter nascido mais coração do que razão, por transpirar amor e principalmente por acreditar nele.
E eu só peço que ninguém se perca do amor, por favor. De todos os erros que os seres humanos são capazes de cometer, o pior deles seria perder o que dá sentido ao nosso viver.
Deem valor para o amor verdadeiro, na simplicidade da vida, que é o que há de maior e mais valioso nesse mundo inteirinho.
Isso foi mais um desabafo, do que qualquer outra coisa, de um coração que dói e chora quando vê amores se perdendo em meio a pequenices da vida.



Franciélle Bitencourt.



Obs.: Só espero que quem leia isso, seja tocado(a) por cada palavra de amor que eu coloquei aqui.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Sorrisos de dor.


Há quem diga que sempre vivi feliz, que todo palhaço vive em um mundo de fantasias, alegrias, peripécias e vida sem dissabores. Acontece que muito chorei – quase sempre internamente, muito me decepcionei por acreditar em quem não merecia, muitas rasteiras da vida levei, muito meu coração eu doei e por isso muito sofri, sei que no fundo fui mais bobo e sonhador do que deveria ter sido, que tentei me enganar dizendo que o mundo era melhor do que se mostrava, mas mesmo com todas as ironias da vida, sempre mantive firme a minha missão de alegrar a quem passava por ela e a me arrepender somente pelo que eu fiz, não pelo que deixei de fazer.

Admito que quando estava a caráter, posto de nariz de bolinha vermelho, maquiagem alegre, sapatos grandes e roupas coloridas, não era somente para alegrar quem me assistia, e sim para amenizar a dor da vida carregada nos ombros, por felizes, mas dolorosos anos de vida de palhaço machucado. Palhaço solitário e sonhador. Por mais que o mundo não pudesse ser um eterno picadeiro, cheio de sorrisos, surpresas, fantasias e magia, como eu sempre desejei que fosse, o meu chão era a alegria nos olhos de um menino que mal sabia o que era, o peso de viver. No fim, minha vida sempre foi feita de breves instante, intensos, mágicos, trágicos. Extremos instantes. Belos e atormentados instantes.

Quando fantasiado de palhaço, podia sorrir dos meus erros, derrotar as minhas incertezas, fazer tudo que o picadeiro me permitia, mas que a vida real fazia questão de me assombrar.

Por trás do rosto de eterno palhaço feliz, existia um homem feito de carne, ossos, alma ingênua e coração esperançoso. Sempre existiu apenas um acrobata do sofrimento, que por mais que a vida sangrasse no peito, o circo da fantasia não podia parar.


Franciélle Bitencourt.