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segunda-feira, 13 de outubro de 2014



A constância da incerteza. 

É que o tempo passa e as coisas pesam. 

Tentar esconder o que se sente, entupindo o seu dia com uma rotina milimetricamente contada, não te deixa escapar do que no fundo, só te atormenta e te apodrece cada dia mais.




quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Sabores e dessabores.


Língua mordida. Silêncio escaldado.

Tenho aprendido, na pele que sangra, a falar muito menos e a ouvir muito mais. Não que antes não ouvisse, mas eu dividia a minha vida com a mesma intensidade em que eu abraçava o mundo para cuidar. E o punhal pelas costas veio, na mesma intensidade em que eu distribuía o meu amor por ai. Foi inevitável. Foi inesperado. Mas me abriu os olhos e me fez crescer. Mais um pouco, como tudo que nos faz sofrer. Muitos não carregam consigo a lei do amor recíproco. As pessoas nem sempre são quem você imagina. Você nem sempre é o que pensa ser. Mas isso tudo não quer dizer que desisti do ser humano, apenas estou aprendendo a conservar o meu coração, para oferecer aos límpidos de alma.

Tenho aprendido a dosar empatia com apatia. A mistura perfeita dos dois faz com que você se coloque no lugar dos outros, mas que não se permita deixar de ser você. De viver você. De cuidar de você.

Tenho me consentido sentir todas as coisas que as alternativas, caminhos e escolhas têm me oferecido. Tenho jogado a rotina para o alto - ou pelo ralo. O que parece correto pode ser completamente o contrário. E vice-versa. Não há verdades absolutas e muito menos mentiras irrevogáveis. Tudo depende do ângulo em que se vê. Em que se vive.

Tenho tido menos medo e tomado mais atitudes. Dei-me a possibilidade de arriscar tudo, perder as estribeiras, mudar o rumo total da minha vida. Mas tenho percebido também, que nem todo frio na barriga vale o meu chão.

Estou à procura do meu equilíbrio. Como sempre. Como nunca estive. Tentando dosar a química entre razão e emoção. Extremos são perturbadores de mais. Ter a capacidade de domar as possibilidades é mais atraente do que se possa imaginar.

Tenho deixado à vida ir e vir diante dos meus olhos. Mostro aos outros, o que eu tenho de bom a oferecer. Dou motivos para que se aproximem de mim. Converso olho-no-olho, dou afago e atenção, mas se percebo que sou apenas conveniente durante os dessabores dos dias, já não segura mais a mão.

Quero ser aceita com todos os meus requintes e deficiências. Quero ser inteira. Inteira de tudo que me mantem em equilibro. Tenho esvaecido das mãos de quem me tem como muleta. Tenho dado asas a quem em mim tem se encontrado, e que comigo quer aprender a voar.


Franciélle Bitencourt


quarta-feira, 20 de julho de 2011

Cinza e chuvoso.


Não é a melhor coisa do mundo se sentir desamparado, precisando de afagos intermináveis, alguém ou algo pra se apoiar. Não é questão de parasitar e sim de abafar um pouco essa insegurança que deitou sobre mim. A fragilidade entrelaçou suas mãos com a minha essência, e faz dela mais sensível do que já é por natureza. Às vezes o medo é tanto que chego a ficar tonta. Dói o corpo, dói o peito, doem os pulsos, dói à alma. E olha que eu tento fingir até pra mim que está tudo bem. Sei que é mais uma daquelas fases de alto-encontro, de pesar o que deve continuar sendo carregado dentro desse peito que fadiga e o que deve ser jogado fora no primeiro bueiro em que eu passar, mas a falta de sabor na ponta da língua, o tempero dos dias, se dissipa em minhas mãos e a indiferença toma o seu lugar. Eu sei, vai passar, mas enquanto estiver cinza e chovendo aqui dentro, eu vou chorar, vou aflorar minha dor, esperando o dia em que tudo voltará a ser azul e limpo, com algumas nuvens, eu sei, mas bem menos carregadas de dor.



Franciélle Bitencourt.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Sorrisos de dor.


Há quem diga que sempre vivi feliz, que todo palhaço vive em um mundo de fantasias, alegrias, peripécias e vida sem dissabores. Acontece que muito chorei – quase sempre internamente, muito me decepcionei por acreditar em quem não merecia, muitas rasteiras da vida levei, muito meu coração eu doei e por isso muito sofri, sei que no fundo fui mais bobo e sonhador do que deveria ter sido, que tentei me enganar dizendo que o mundo era melhor do que se mostrava, mas mesmo com todas as ironias da vida, sempre mantive firme a minha missão de alegrar a quem passava por ela e a me arrepender somente pelo que eu fiz, não pelo que deixei de fazer.

Admito que quando estava a caráter, posto de nariz de bolinha vermelho, maquiagem alegre, sapatos grandes e roupas coloridas, não era somente para alegrar quem me assistia, e sim para amenizar a dor da vida carregada nos ombros, por felizes, mas dolorosos anos de vida de palhaço machucado. Palhaço solitário e sonhador. Por mais que o mundo não pudesse ser um eterno picadeiro, cheio de sorrisos, surpresas, fantasias e magia, como eu sempre desejei que fosse, o meu chão era a alegria nos olhos de um menino que mal sabia o que era, o peso de viver. No fim, minha vida sempre foi feita de breves instante, intensos, mágicos, trágicos. Extremos instantes. Belos e atormentados instantes.

Quando fantasiado de palhaço, podia sorrir dos meus erros, derrotar as minhas incertezas, fazer tudo que o picadeiro me permitia, mas que a vida real fazia questão de me assombrar.

Por trás do rosto de eterno palhaço feliz, existia um homem feito de carne, ossos, alma ingênua e coração esperançoso. Sempre existiu apenas um acrobata do sofrimento, que por mais que a vida sangrasse no peito, o circo da fantasia não podia parar.


Franciélle Bitencourt.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

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Toda vez que eu abro essa página, para tentar exprimir o que sinto, o nada toma conta da minha mente.

Toda vez que eu tento exteriorizar a minha dor, nenhuma palavra no mundo consegue revelar tudo o que tem aqui, dentro do meu peito.

Já não sei se o que sinto é certo, se o que penso tem valia, se o que vivo é verdadeiro.

Há alguns dias a angustia tem feito parte da minha rotina. Dizem que é coisa passageira, que me sinto assim porque estou cansada, porque minha vida se tornou uma rotina ou porque estou perto "daqueles dias".

Eu digo que é o vazio. Não me pergunte o porquê, eu não saberei responder. Eu nem ao menos sei se é isso que eu sinto/tenho realmente.

Hoje pela manhã, quando acordei, parecia que não fazia 10 minutos que eu havia me deitado. O corpo pesado, cansado, já não consegue seguir o fervor da rotina diária. A mente já não processa as coisas com a mesma rapidez, a vontade já se esconde por trás dos devaneios.

Levei 15 minutos para me arrumar, não mais que isso. Tomei um copo de água. Qualquer coisa que eu colocasse dentro de mim que não fosse água, voltaria, da mesma forma que entrou.

Segui o meu caminho matutino até a parada. Levo 8 minutos contados no relógio para chegar até lá. Nesse meio tempo, sigo, freneticamente, olhando as minhas passadas duras no chão de concreto, e tento entender, realmente, para onde que essas passadas me levam, se para o meu trabalho diário, visto simplesmente com o sentido real do vocabulário, ou se para o meu futuro, que eu nem sei o que é. Se souber, já não confio mais tanto assim.

Pode ser amargura do momento, daqui algumas horas pode até passar. Mas se não passar? Se isso resolver se perdurar por mais alguns dias, semanas ou meses? Vou ter que seguir assim, perdida de mim por quanto tempo?

Dói. Não sei onde, não sei o porquê, nem o que é, mas sei que dói. Muito.

Eu precisava falar. Sei que não disse muito, ou disse sem saber, mas eu precisava tentar.



Mais uma vez,

Franciélle Bitencourt.