sexta-feira, 29 de abril de 2011

Ela. Ele. V


Ela se deita na cama e em poucos minutos fica naquele impasse de "meio-acordada, meio-dormindo". Ele se aproxima sorrateiramente, a abraça por trás. Ela suspira aliviada e, nesse ato, já perdi metade da tensão que carregou nos ombros o dia inteiro. Ele começa a acariciar, com as pontas dos dedos, as costas dela. Aquele arrepio instantâneo a percorre o corpo, das vértebras cervicais até a falange distal. Ela suspira fundo, longo. Logo aquele cansaço começa a dar lugar ao desejo. Instintivamente.
Numa velocidade e agilidade de quem faz isso a um bom tempo, ele tira a camiseta de ambos, a beija na nuca e tira com as palmas de sua mão, toda a dor e fragilidade encravada no corpo dela, pelos dias rotineiros de exaustão. Como num passe de mágica, surge vigor da onde se pensava não existir mais nem força para manter os olhos abertos. Ele a vira de face para ele, tira a franja caída nos olhos dela e sussurra: "Ao invés de fazer carinho com amor, por que não fazemos amor com carinho?" e a beija, esperando a resposta vir do aumento do fluxo da saliva dela, e não das palavras. E aquele amor de sempre - mas sem aquele itinerário habitual, acontece, reacontece, se reinventa, se transforma, se espalha, se revigora, alimentando e saciando, mesmo que brevemente, a fome daqueles que se confessam escravos do amor.


Franciélle Bitencourt.

6 comentários:

  1. Acho que agora entendi teus olhos de ontem.

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  2. " suspira aliviada e, nesse ato, já perdi metade da tensão que carregou nos ombros o dia inteiro. "
    lindo, lindo, lindo.

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  3. emoções necessárias...

    :D
    Linda narrativa!

    Vou te acompanhar!

    Beijos!

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  4. Fran, creio que você sabe que meus comentários geralmente são longos, mas diante dessas palavras que acabei de ler e que, apesar de serem poucas, são cheias de sinceridade, fico sem ter muito o que dizer. Muito bom!

    Beijo!

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